As lesões de acne não se restringem apenas à adolescência: podem acompanhar por vários anos quem tem tendência a seu desenvolvimento. Especialmente durante a vida adulta, ainda na idade fértil das mulheres, é comum o que chamamos de acne da mulher adulta.
A acne se forma a partir de 4 pilares: hormônios andrógenos atuando no aumento da produção de sebo e mudando a sua qualidade, hiperceratose folicular com obstrução dos folículos, imunidade inata ativada pelo Cutibacterium acnes e inflamação de toda a pele. Todo esse processo gera lesões de cravos e espinhas.
Quando esse quadro está presente acima de 25 anos, chamamos de acne do adulto. Em mulheres, muitas vezes se associa com casos familiares similares e pode ser persistente. Ela se localiza na chamada “zona U”: mandíbula, queixo, pescoço e às vezes colo e região superior das costas. Ela pode estar relacionada com fatores hormonais, predisposição genética e fatores ambientais, e quando presentes sinais de hiperandrogenismo (como aumento de pelos, por exemplo) ou irregularidade menstrual, vale a pesquisa de causas endocrinológicas.
O tratamento deve ser individualizado de acordo com gravidade, extensão e causas sobrejacentes. Usualmente, iniciamos com terapia tópica com retinoides e outros ácidos associados ou não a antibióticos. A depender do grau de inflamação, podem ser usados antibióticos orais.
Quando a acne está muito associada com o ciclo menstrual ou com hiperandrogenismo, opções de contraceptivos orais combinados com ação antiandrogênica mais forte e a espironolactona, que é antagonista de receptor de androgênio, podem entrar no tratamento. Em casos mais desafiadores podemos avaliar o uso de isotretinoína oral também. E associado a todos esses tratamentos podemos lançar mão das tecnologias, especialmente lasers e radiofrequência microagulhada, que possuem pouquíssimas contraindicações. A melhor opção de tratamento deve ser avaliada em conjunto com o dermatologista.








