Injetáveis em pele negra: cuidados com bioestimuladores e preenchimentos para evitar manchas e cicatrizes

Os procedimentos injetáveis têm sido cada vez mais utilizados para rejuvenescimento, melhora da flacidez, reposição de volume e estímulo de colágeno. Em pele negra, eles podem ser realizados com segurança e excelentes resultados, desde que exista avaliação adequada, técnica cuidadosa e conhecimento das particularidades desse tipo de pele.

Durante muito tempo, houve receio de realizar procedimentos estéticos em pessoas negras devido ao risco de manchas e cicatrizes. Hoje, sabemos que o problema não está na pele negra em si, mas principalmente em inflamações excessivas, técnicas inadequadas e procedimentos realizados sem individualização.

A pele negra responde de forma diferente?

Sim. A pele negra possui características biológicas próprias que influenciam a cicatrização e a pigmentação.

Os melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina, costumam responder de forma mais intensa a processos inflamatórios. Isso aumenta a tendência à hiperpigmentação pós-inflamatória, principalmente após traumas, irritações ou procedimentos agressivos.

Além disso, pode haver maior predisposição a cicatrizes hipertróficas e queloides.

O que são bioestimuladores e preenchimentos?

Os preenchimentos com ácido hialurônico costumam ser utilizados para reposição de volume, contorno e sustentação facial. Já os bioestimuladores (hidroxiapatita de cálcio, ácido poli-L-lático e policaprolactona) têm como principal objetivo estimular a produção de colágeno ao longo do tempo.

Cada produto possui características, profundidade de aplicação e objetivos diferentes.

Existe maior risco de manchas?

Pode existir, principalmente quando há inflamação excessiva, hematomas importantes ou manipulação inadequada da pele.

Por isso, alguns cuidados fazem diferença:

• Avaliação individual do fototipo

• Escolha correta do produto

• Técnica adequada de aplicação

• Controle da inflamação

• Redução de traumas desnecessários

• Orientação adequada no pós-procedimento

Em pele negra, procedimentos mais delicados e progressivos frequentemente apresentam recuperação mais segura.

E o risco de queloides?

O risco de queloides depende principalmente da predisposição individual, histórico pessoal e localização do procedimento.

Pessoas que já desenvolveram queloides anteriormente, especialmente após cirurgias, piercings ou traumas, merecem uma avaliação mais cuidadosa antes de procedimentos invasivos.

Apesar disso, preenchimentos e bioestimuladores realizados corretamente não significam automaticamente alto risco de queloide.

O pós-procedimento faz diferença?

Muita diferença.

O controle da inflamação e o cuidado adequado da pele após o procedimento ajudam a reduzir o risco de manchas persistentes e irritações prolongadas.

Além disso, a exposição solar excessiva logo após procedimentos pode favorecer a hiperpigmentação em alguns pacientes predispostos.

Como garantir mais segurança?

A segurança depende de:

• Diagnóstico adequado

• Conhecimento anatômico

• Experiência

• Escolha adequada das técnicas e produtos

• Individualização do tratamento

Nem sempre protocolos mais intensos significam melhores resultados. Em pele negra, preservar a naturalidade e controlar a inflamação costuma ser tão importante quanto o resultado estético em si.

Quando procurar avaliação dermatológica?

A avaliação especializada é importante para:

• Entender o histórico de manchas e cicatrização

• Avaliar a predisposição a queloides

• Definir quais produtos e técnicas são mais adequados

• Individualizar o tratamento conforme as características da pele

Pele negra pode e deve ter acesso a procedimentos estéticos seguros. O mais importante é que esses tratamentos sejam realizados respeitando as particularidades biológicas de cada paciente.

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Dra. Najara Gomes

Dra. Najara Gomes

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